03/01/2016

Ele

Passei meses tentando me adaptar. Tentando ser bonita e desejável. Tentando ser notada. Todas as vezes que ele falava meu nome eu sorria. Eu esperava que ele pudesse gostar de fala-lo. Eu esperava que ele só fosse tímido. Eu esperava que um dia, mais cedo ou mais tarde, ele fosse entender que eu o amava. E me desse uma chance.

Eu estava vestida como uma mulher importante. Eu estava bonita, apesar da pouca maquiagem. Eu prometi que não iria procura-lo aquele noite, mas eu o fiz. E eu o disse: nunca mais irei te ver.

Pensei que estaria blefando. Que aconteceria novamente. Que eu teria minha dose mensal de seu olhar.

Mas ele se foi.

E eu nunca mais irei ve-lo. Mesmo. E agora estou despedaçada.

Nada nunca existiu. Nada nunca foi sequer cogitado. Eu só era a piada. Ele sequer me desejou.
Mas eu o amo. Amo a ponto de escrever essas linhas chorando sua partida. Nunca mais irei observa-lo. Nunca mais escutarei suas palavras tal qual um andarilho recebe agua. Nunca mais irei olhar seus olhos castanhos, vermelhos pelas noites mal dormidas dedicadas ao trabalho.

Ele se foi.
E levou um pedaço de mim.

"Existo em você por louco engano"

Um comentário:

  1. Oi, Lana!
    Adorei o texto...
    E espero que você esteja/fique bem.
    Beijinhos!

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